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8 de junho de 2014

Assim não dá?

            Vamos continuar o assunto do post anterior. Esse vai dar bode, acreditem. Como vou falar de sexo quero deixar claro que usarei uma  terminologia provavelmente inadequada. Farei o melhor possível para manter um certo nível de adequação.

            O drama começa da seguinte forma: As pessoas namoram, transam, beijam, abraçam, brincam, fazem planos...até casarem. Continuam transando (menos) , abracando (menos) e brincando ( muito menos). Os filhos vem, a rotina dos afazeres vem, os problemas de orçamento vem (ou não), questões das famílias de ambos, divergências aqui e ali e tudo que o senso comum tem bem registrado sobre as questões de convívio. Fui rápido e eventualmente generalizador porque quero chegar logo ao ponto. E o ponto é: chega uma hora que as mulheres , prestem atenção que por enquanto estou falando das casadas e não todas, não querem mais transar. Não querem nunca mais? Obvio que não. Não querem quanto? Varia muito, mas em geral vão querendo cada vez menos. Não fiquem bravas pelo amor de Deus!!! Não estou acusando, não estou julgando e já discutirei as possíveis causas e as frequentes consequências. O fato é que ela vão parando de "dar".

            Muitos homens vão perdendo o interesse inicial, diria eu, todos. Há , no entanto uma diferença entre perder o interesse no homem e na mulher. O homem sem tanto interesse tem mais interesse do que a mulher sem tanto interesse. Volto a dizer que isso não serve para todos, mas insisto em dizer que estou examinando um aspecto da situação conjugal e para examina-lo preciso focar no ponto. Arrisco dizer, no entanto, que ele é muito , muito amplo e mantido abaixo de um pilha de tapetes maior do que a fabricação total de tapetes do Ira durante um ano.

           A mulher não quer mais dar....quase nunca, de vez em quando, sob esta ou aquela condição, se isso ou aquilo, antes disso e depois daquilo, ao invés disso e por causa daquilo que o marido disse, que aconteceu no emprego, TPM, VPM, GPS, URL, qualquer sigla vale.....e por ai a fora.

           Fase drama. Essa fase é dura, chata, trás estranhezas, silêncios constrangidos, magoas, brigas e muito lucro para os psis e misticos e toda minha turma podendo chegar ate ao velho e bom padre - coitado, já ta no celibato divino e tendo que ouvir os que estão celibato "voluntario" e mundano.

           E agora José? Bem e agora só tem três alternativas para o homem. A primeira é reclamar, falar , encher o saco da mulher e conquistar uma péssima fama de chato, carente...vai conseguir transar, mas a médio prazo vai se desmoralizando e perdendo a vez com a esposinha. Nessa fase há esperança de que alguma coisa mude. O nosso amante sofrido se corrige, para de ver TV, suspende o futebol, não reclama de nada, vai no Natal para onde ela quiser com que ela quiser. Resultado: uma transa porque lembrou a esposa. Resultados pífios, encarados como uma brutal derrota. A segunda é deixar vazar que tem alguma moca por ai querendo alguma coisa com ele, pode ser um torpedo meia sola de uma velha amiga do colégio, até um lembrete da secretaria que veio de uma maneira mais informal...hummm, bronca, desconfiança, paranóia...resultado quatro transas oferecidas com alguns privilégios já há muito esquecidos...se a ameaça some somem também as generosas ofertas. A paranóia é inimiga do celibato. Terceira alternativa. Essa talvez a mais velha de todas. O maridão começa a sair por ai, resigna-se com a letargia da casa e de nada se queixa, mas começa a ter grupos de vinho, discussões sobre tendencias no mundo da filosofia, arte, economia, ginastica, RPG, um longo tratamento no dentista das 19 as 21...este não se queixa de mais nada e não incomoda mais ninguém...talvez reste nele um sentimento de abandono que ele revida abandonando também.....Estão sentindo falta da hipótese de se separar? Não coloquei de proposito. Ainda não. Esse homem que acima descrevi não quer se separar, ele gosta da família e da esposa.

         Antes que as moças me matem preciso esclarecer que as mulheres se comportam assim sem nenhuma maldade, não são frigidas, deficientes, más, nem necessariamente não gostam do marido ou de si mesmas, elas não dão porque não precisam, nada mais. Já volto.


  1. O Nascimento de Vénus é uma pintura de Sandro Botticelli, encomendada por Lorenzo di Pierfrancesco de Médici para a Villa Medicea di Castello. A obra está exposta na Galleria degli Uffizi, em Florença, na Itália.




5 de junho de 2014

Traição , autoengano e alivio

O Senhor Deus disse à serpente: «Por teres feito isto, serás maldita entre todos os animais domésticos e entre os animais selvagens. Rastejarás sobre o teu ventre, alimentar-te-ás de terra todos os dias da tua vida». (Génesis 3, 14)

Desde a Antiguidade a serpente tem sido símbolo do mal, da traição e do diabo por ter induzido a Adão e Eva a comer do fruto proibido (fruto do conhecimento) no paraíso. 



Há um tema que muito me intriga há anos. Como médico muito pensei nele e como psicanalista ainda mais. Sou apresentado a ele diariamente e posso dizer que nada ou pouco sei ou entendo sobre a questão.

Eu comecei observando desde muito jovem que alguns homens tinham outras mulheres que não as suas esposas. Ouvia daqui e dali, na rua, em casa, mas sempre havia um mistério e um ar de tragédia, um segredo. Foi muito depois que ouvi que algumas mulheres “traiam” seus maridos. Essas, dessa época, eu conhecia pessoalmente porque eram mães de amiguinhos meus. Não sabia se era verdade e não sabia como era possível, afinal mãe não trai. Sobre os homens eu não achava boa noticia também, mas os conhecia menos, mas me decepcionavam também. Sabia que era proibido, errado, perigoso e que eu estava em contato com algo completamente não oficial. Era uma transgressão trair e outra ouvir e saber. Seriam atos que nasceram da lascívia, do desejo, da vingança, da tristeza, da sacanagem, da maldade? Sei lá, nunca soube a resposta para essas perguntas. Muito tempo se passou desta época, me formei em medicina e comecei meu estagio em psiquiatria, passei por vários hospitais públicos e privados, atendi em clinica psiquiátrica em consultório privado e fiz uma longa formação em psicanálise com o que basicamente trabalho nos dias de hoje.

Posso dizer que já ouvi muito sobre relações extraconjugais. São muitas maneiras e dinâmicas diferentes entre si mas que tem em comum um cônjuge julgar necessário ter relações (sexuais?) com outras pessoas. A amplitude dos fatores envolvidos tornaria impossível uma escrita breve como pretendo que essa seja. Por querer ser breve vou focar num fato que chama muito atenção.  Porque há tanta negação em torno disso? Porque as mulheres ficam nesses relacionamentos fazendo de conta que nada esta acontecendo? Os homens geralmente não ficam quando descobrem, mas muitos também ficam. Moralismo? Eu tentarei deixar aqui esse fator de lado porque apesar dele estar presente nas relações humanas o tempo todo porque o julgamento moral é profundamente empobrecedor e obscurecedor dos fatos. Confunde e simplifica demais.

Não foram poucas as vezes que ouvi a explicação que as mulheres que não trabalham não podem se separar. Nem sempre isso me caiu bem, mas de um tempo para cá passei a aceitar essa explicação e todas as outras. Não as tomo como necessárias verdades, mas como necessárias mentiras (não morais).

Recentemente a esposa do atual presidente francês François Hollande foi internada depois de saber pelos jornais que o marido tinha um caso com uma jovem atriz. Dizem que ela sabia do caso, mas que não queria que os outros (as) soubessem. Eu acredito. Um dos motivos que a mulher não larga o seu doce traidor é não perder tal propriedade (o pênis?) para outra mulher, afinal isso fica sentido como uma derrota. Compreensível, ainda que longe das exigências do que poderíamos considerar verdadeiro.  Afinal, como dizia Melanie Klein, fantasias são somente fantasias, mas seus resultados são reais.

Os anos de consultório e vida fora dele me mostram que a maneira como as pessoas elaboram suas insatisfações são variadas, mais ou menos adequadas a si mesmo e ao grupo e também variáveis nos seus níveis de consciência. Muita gente sequer percebe a sua insatisfação, percebem a demanda de prazer e isso é bem diferente e mais superficial.

Voltando a pergunta. Porque tantas mulheres ficam com seus “companheiros” infiéis  ou senão infiéis  ao menos maltratadores ou mentirosões?

Já soube de muitas amigas que perderam a amizade de suas amigas ao contar para elas sobre terem testemunhado o marido com outras. Mata-se o mensageiro da má noticia?


Eu insisto que só estou usando essa situação da mulher não por acha-la especialmente negadora, mas porque desde cedo foi como essa questão me chamou atenção. Homens e mulheres fora de situações de casamento, e namoro fazem a mesma coisa em suas vidas profissionais e sociais.
O artista catalão Josep Maria Subirachs As vezes quero pensar que a tal traição não existe, ou não existe com esse nome ou o sentido não seria esse. Essa "traição" faria parte de uma certa auto regulação de alguns relacionamentos e os ajuda a se manter. Sobre isso se dizia talvez ainda se diga que "as prostitutas mantem  os casamentos". Da onde sairia essa máxima senão dessa hipótese auto reguladora. 

Agora um segredo. Descobri que há um batalhão de mulheres que perdem o interesse no sexo e que isso acontece por centenas de razoes que vão desde o mais justo cansaço até o simples desinteresse que quando não criticado ou transformado em acusação ficaria como um simples, de fato, desinteresse. O problema é "faltou combinar com os russos". Esse desinteresse muitas vezes frustra o companheiro que ,se sentindo um mendigo de sexo se emburra, se infantiliza e piora muito para o casal a situação. Via de regra a mulher se ressente e o homem se magoa. Alguns desses homens se sentem autorizados a buscar alternativas. Estariam eles ao se cuidar dessa forma traindo, enganando a si ou mais alguém? Seriam estas as mulheres que "sabendo" disso sem saber "não" se incomodam? Eu não diria que sim porque muitas se incomodariam muito e diriam que o seu desinteresse não resulta de uma culpa só sua ou que o desinteresse mesmo sendo por auto-estima baixa em relação ao seu corpo ou alguma outra coisa só piora com essa acao do companheiro. Ficamos rapidamente sem saída como podem ver.

Interrompo por aqui para que possamos refletir um pouco. Ia esquecendo a parte do alivio. Seria um alivio se houvesse um pouco mais de esclarecimento sobre isso em pleno século XXI. Menos julgamentos, menos criticas, mais liberdade. Concordam?




11 de maio de 2014

Trecho do livro de Lionel Trilling Sincerity and Authenticity

"......A doutrina da impessoalidade do artista era lealmente
destacada pela crítica que cresceu com a clássica
literatura moderna. Nas suas relações com a personalidade a critica jogou um jogo elaborado, ambíguo e arbitrário.
Enquanto procura fazer-nos cada vez mais sensível às implicações da voz do poeta em sua qualidade única, incluindo
inevitavelmente, essas implicações que são pessoais, antes de
serem morais e sociais, que era ao mesmo tempo muito apoiada em
sua insistência de que o poeta não é uma pessoa em tudo, apenas uma persona e que imputar a ele uma existência pessoal é uma violação do
decoro literário....

"......The doctrine of the impersonality of the artist was loyally
seconded by the criticism that grew up with the classic
modern literature. In its dealings with personality this criticism played an elaborate, ambiguous, and arbitrary game.
While seeking to make us ever more sensitive to the implications of the poet's voice in its unique quality, including
inevitably those implications that are personal before they
are moral and social, it was at the same time very stria in
its insistence that the poet is not a person at all, only a persona,
and that to impute to him a personal existence is a breach of
literary decorum....."
The Boston Globe, December 15, 2002


Robert Boynton

....."But in a confidential memo, the honorary secretary of the Institute's ethical committee raises a few topics for his colleagues' "consideration." Psychoanalysts, the memo notes, must recognize the existence of "perverse and psychotic areas in ourselves while concurrently trying to analyze such areas of the personalities in our patients." It then asks: "Where does our first loyalty lie? To patients or to colleagues?" Finally, it broaches the least welcome idea of all: "the limitations of psychoanalysis as a treatment, and the hazard of omnipotence and omniscience."
Sempre houve um "gap de moralidade", como um "gap de credibilidade", de
que alguns políticos têm sido acusado. Podemos primeiramente acusar a raça humana inteira, uma vez que tornou-se humana, de um 'gap de moralidade ",e essa diferença tem crescido tanto quanto o progresso cumulativo da tecnologia, enquanto a moralidade tem estado estagnada. A ciência nunca suplantou a religião, e é a minha expectativa que ele nunca vai substitui-la...não foi capaz de fazer qualquer coisa para curar o homem de seu pecado e lhe dar sensação de segurança, ou para evitar a penosidade do fracasso e do medo da morte ... Estou convencido, eu mesmo, que o problema fundamental do homem é o seu
egocentrismo

Surviving the Future (1971) Arnold J. Toynbee

There has always been a 'morality
gap', like the 'credibility gap', of
which some politicians have been
accused. We can first accuse the
whole human race, since we
became human, of a 'morality gap',
and this gap has been growing wider as technology has been
making cumulative progress, while
morality has been stagnating.
Science has never superseded
religion, and it is my expectation
that it never will supersede it... It
has not been able to do anything to
cure man of his sinfulness and his
sense of security, or to avert the
painfulness of failure and the
dread of death ... I am convinced
myself, that man's fundamental
problem is his human
egocentricity

Surviving the Future (1971) Arnold J. Toynbee
Devo confessar que o meu estilo de nunca oferecer, sempre que eu puder evitar, um aqui e agora uma interpretação interpessoal (ou seja, você e eu). Por exemplo, Ella Sharpe (1930) afirmou:

"Vamos tratar resistências, não como especificamente dirigidas contra análise, mas como o que eles realmente são, isto é, defesas desenvolvidas pelo psiquismo em sua tentativa de reconciliar as reivindicações do id eo super-ego
[eu acrescentaria as do ideal de ego] no mundo da realidade. "

Masud Khan

I must own up to my style of never giving, if I can help it, a here and now interpersonal (that is, you and me)
interpretation. For example, Ella Sharpe (1930) has stated:

"We shall treat resistances, not as specifically directed against analysis but as what they truly are, defences the psyche has evolved in its attempt to reconcile the claims of the id and the super-ego [I would
add, also, of the ego-ideal] in the world of reality."

Masud Khan

1 de maio de 2014

Trecho do livro Hidden Selves de Masud Khan.

Em seu livro (1976), Foucault argumenta: 'Sobre o meados do século XVII, uma súbita mudança ocorreu: o mundo da loucura tornou-se o mundo da exclusão ". A razão Foucault dá para esta "exclusão" é uma sócio=econômica: No mundo burguês em constituição,, o principal vício, o pecado capital que o mundo do comércio havia sido definido; era não mais, como na Idade Média, orgulho ou
ganância, mas a preguiça. A categoria comum a que todos aqueles internados em
instituições foi a sua incapacidade de participar na prática da produção, ou acumulação de riqueza (tendo culpa ou nao). A exclusão a que foram submetidos lado a lado com que a incapacidade para o trabalho, o que indica o aparecimento no mundo moderno de uma cesura que não tinha anteriormente existido. A internação, por isso, estava ligada, em sua origem e no seu significado fundamental, com esta reestruturação do espaço social."
Masud Khan- Este fenômeno foi duplamente importante para a constituição da experiência contemporânea da loucura. Em primeiro lugar, porque a loucura, que foi por tanto tempo foi aberta e irrestrita, e que por tanto tempo esteve presente no horizonte, desapareceu. Ela entrou em uma fase de silêncio sem emergir por um longo período de tempo; ela foi privado de sua linguagem; e apesar de que se continuasse a falar sobre ela, tornou-se impossível para ela falar de si mesmo. Impossível, pelo menos até Freud, que foi o primeiro a abrir novamente a possibilidade de a razão e a des-razão para comunicar-se no perigo de uma linguagem comum.
In his liter book (1976), Foucault argues: 'About the
middle of the seventeenth century, a sudden change took place: the world of madness was to become the world of exclusion.' The reason Foucault gives for this 'exclusion' is a
socioeconomic one:
In the bourgeois world then being
constituted, the major vice, the cardinal sin in that world of trade, had been defined; it was no longer, as in the Middle Ages, pride or greed, but sloth. The common category that
grouped together all those interned in these institutions was their inability to participate in the production circulation, or accumulation of wealth (whether or not through any fault of their own). The exclusion to which they were subjected hand in hand with that inability to work, and
it indicates the appearance in the modern world of a caesura that had not previously existed. Internment, therefore, was linked, in
its origin and in its fundamental meaning, with this restructuring of social space.
Masud Khan- This phenomenon was doubly important for the constitution of the contemporary experience of madness. Firstly, because madness, which had for so long been overt and unrestricted, which had for so long been present on the horizon, disappeared. It entered a phase of silence from
which it was not to emerge for a long time; it
was deprived of its language; and although one
continued to speak of it, it became impossible for
it to speak of itself. Impossible at least until
Freud, who was the first to open up once again
the possibility for reason and unreason to
communicate in the danger of a common
language,

28 de abril de 2014

O artista e sua obra podem ser separados?

Para aqueles que querem refletir sobre a relação do autor com sua obra, se é possível separar a obra do autor. Há um limite, alguma blindagem? Um assassino pode ser um grande escritor? Um nazista, um grande filósofo? 

Trecho do livro de Lionel Trilling Sincerity and Authenticity

"......A doutrina da impessoalidade do artista era lealmente
destacada pela crítica que cresceu com a clássica
literatura moderna. Nas suas relações com a personalidade a critica jogou um jogo elaborado, ambíguo e arbitrário.
Enquanto procura fazer-nos cada vez mais sensível às implicações da voz do poeta em sua qualidade única, incluindo
inevitavelmente, essas implicações que são pessoais, antes de
serem morais e sociais, que era ao mesmo tempo muito apoiada em
sua insistência de que o poeta não é uma pessoa em tudo, apenas uma persona e que imputar a ele uma existência pessoal é uma violação do
decoro literário....

"......The doctrine of the impersonality of the artist was loyally
seconded by the criticism that grew up with the classic
modern literature. In its dealings with personality this criticism played an elaborate, ambiguous, and arbitrary game.
While seeking to make us ever more sensitive to the implications of the poet's voice in its unique quality, including
inevitably those implications that are personal before they
are moral and social, it was at the same time very stria in
its insistence that the poet is not a person at all, only a persona,
and that to impute to him a personal existence is a breach of
literary decorum....."

27 de dezembro de 2012

Feliz 2013

Foto: Reprodução

Deixo aqui para reflexão essa pergunta e resposta baseadas numa frase escrita por Shakespeare em Hamlet em 1600. Assim que desejo que o ano de 2013 seja para todos meus amigos, um ano onde a busca por ser verdadeiro seja possível!! Feliz 2013!!

Frase do Shakespeare:
This above all: to thine own self be true, / And it must follow, as the night the day, / Thou canst not then be false to any man. 

Pergunta:
O que significa "to thine own self be true" ?
Mas o que significa ser fiel a si mesmo? Será que alguém não tem que ter um transtorno de personalidade com grande divisao interna para tentar mentir para si mesmo? Eu não entendo.

What does "to thine own self be true" mean?
But what does it mean to be true to yourself? Wouldn't someone have to have a split personality disorder to try to lie to themselves. I don't get it.

Resposta:
Omar Khafagy - autor da resposta

Quantas pessoas você conhece em sua vida que fingem ser algo que não são?
Talvez eles estejam tentando fazer seus pais orgulhosos. Talvez eles estejam fingindo que não estão magoados com alguma coisa para que ninguém veja as suas "fraquezas".

E talvez eles tenham "esmagado" todas as suas paixões, todos os seus desejos de vida para cumprir o que eles acham que a sociedade espera deles.

Essas pessoas não estão sendo verdadeiros consigo mesmos. Eles estão ignorando o que eles realmente querem porque temem as consequências que virão ao chegarem naquilo que chegariam sendo quem são.

Mas isso não é tudo que a citação é sobre ...

"Isto acima de tudo: seja verdadeiro consigo mesmo, e tudo vai ser como a noite segue ao dia, tu não poderás então ser falso com qualquer homem."

Essa é a citação completa. Quando as pessoas ignoram o que o seu coração lhes diz, elas se enganam. E porque elas não sabem distinguir, acreditam que o engano passa a ser verdade ... e, portanto, acabam mentindo para todos.

Então, se uma pessoa é verdadeira para si mesma, segue-se (tal como a noite deve seguir os dias) que ela não vai mentir para os outros.

A frase é de Hamlet, uma peça muito bonita.

How many people do you know in your life who pretend to be something that they're not?
Maybe they're trying to make their parents proud. Maybe they're pretending they're not hurt by something so that no one sees their "weaknesses".
And maybe they've squashed all their passions, all their life's desires to meet what they think society expects of them.
These people are not being TRUE to themselves. They're ignoring what they would TRULY want because they fear the fallout should they pursue it.
But that's not all that the quote is about...
"This above all: to thine own self be true, and it must follow, as the night the day, thou canst not then be false to any man."
That is the full quote. When people ignore what their heart tells them, they deceive themselves. And because they do not know better, they believe the deceit to be truth... and therefore wind up lying to everyone.
So if one is true to themselves, it follows (just like night must follow day) that one will not lie to others.
The line is from Hamlet, a beautiful play.

Feliz 2013!

22 de dezembro de 2012

É possivel ver a nossa loucura?


Traçar os limites entre doença mental, falta de educação, comportamentos reativos e relativos  à  uma certa cultura e outras dezenas de possibilidades de classificação derivadas de formas de observação e entendimento não é tarefa simples se é que  possível. Há uma respeitável negação entre  nós daquilo que nos ocorre quando observamos alguma coisa  que nos deixa impotentes. Muitos, em meio a angustia da incerteza, ficam muito sabidos e cheios de certezas numa manobra mais ou menos consciente e compensatória. O fato é que  não gostamos de não saber ou de mesmo sabendo alguma coisa não poder fazer nada ou quase nada frente ao que é imposto por nossas mentes ainda que estimulados por fatos externos. 

O assassinato de crianças na escola em Connecticut por um jovem de 20 anos há quinze dias estimulou em mim essas questões. Eu clinico desde 1985 entre psiquiatria ambulatorial e hospitalar, serviço publico e privado e psicoterapia e psicanálise. Durante todos esses anos já vi muitos modos de funcionamento entre nós humanos. Ja li muita teoria, muita classificação, muito entendimento. Não ha uniformidade nos processos mentais humanos, apesar de haver invariâncias significativas. A apreensão da realidade interna e externa é altamente subjetiva, inaferivel por terceiros pelo menos de forma confiável. As drogas psicoativas desenvolvidas para lidar com os "distúrbios" mentais ajudam muito muitas vezes, não tenham a menor duvida. 

A demonizaçao dessas drogas por conta das brutais interferências da industria farmacêutica são compreensíveis, mas nos induzem a crer que as medicações não são importantes. Grande parte das pessoas medicadas hoje estariam reclusas em hospitais psiquiátricos possivelmente pela vida toda. Por outro lado transformar em doença toda manifestação humana de angustia, medo,  dor  e sofrimento claramente derruba por água abaixo qualquer idéia de não doença. Estamos bem longe de nos acostumar com a maneira errática com que nossa mente opera. 

A submissão ao instituído social é  estimulado pela sociedade e pela família como meio de garantir ao indivíduo a sobrevivência, mas desconsidera os resultados dessa submissão. Nada disso sai barato, nada disso é endereçado na nossa sociedade por uma simples razão: não temos tempo, interesse e condições mentais para ter tempo e interesse. Quem quiser leia esse artigo escrito por conta desse massacre numa revista eletrônica de psiquiatria.

http://bit.ly/UQeo9t

17 de dezembro de 2012

A ‘Little Jerusalem’ in the Heart of Italy

Vejam que interessante. Sem nenhuma vitimologia e sem nenhuma apologia religiosa e/ou ideológica vejam quantas vezes muito antes do que as pessoas imaginam os judeus foram proibidos disso ou daquilo. Ainda assim, parece que coisas belas, lugares belos e muito aprendizado ficam gravados para sempre.

Leiam http://nyti.ms/VJ7D8K

Kathryn Ream Cook for The New York Times                               The medieval village of Pitigliano, Italy.

I am Adam Lanzas mother

Boy with butterfly
"Michael" with butterfly


Acho que devemos refletir um pouco sobre o custo da psicose. Eu noto que ela é pouco respeitada dentro e fora de nós. Banalizada, ignorada, explicada, expurgada de nossa realidade como algo tão raro e estranho que não merece outro tratamento senão o especializado.É colocada distante dos nossos olhos até mesmo quando está em nós. Leiam essa reportagem e comentem se puderem.


15 de dezembro de 2012

Para que matar vinte crianças?

Foto: Michelle McLoughlin / Reuters 

Frente ao assassinato brutal de vinte crianças e seis adultos em uma escola de ensino fundamental em Connecticut, nos Estados Unidos todos nós podemos nos perguntar o porquê. Todos nos perguntamos para que, qual a função de matar tantos inocentes? Pois a resposta não è fácil, mas é possível supor que o assassino não tivesse nada pessoalmente contra a maioria dos que matou. Que se saiba, no momento,a única pessoa que ele matou fora da escola e antes de todas as outras foi a própria mãe. Os soldados em guerra matam conhecidos? Pilotos de avião em guerra miram conhecidos quando jogam as suas bombas do alto? Políticos corruptos matam desconhecidos ao retirar os recursos que serviriam para um fim social e os usam para fins pessoais ou partidários. Criminosos comuns matam basicamente desconhecidos.

As crianças mortas não eram conhecidas do tal assassino, mas a mãe do assassino era professora da escola onde as crianças foram mortas. Alguma conexão? Quem não fica tentado a estabelecer uma conexão? Ele estaria matando simbolicamente todos os irmãos que o roubaram dos olhos de sua mãe? Ele estaria matando então invejosamente. Ele estaria como Ajax se vingando dos generais que preferiram dar a armadura de Aquiles para Ulisses, Odisseu em grego. Ajax se sentia merecedor porque lutava contra o inimigo, os troianos, sem a ajuda dos deuses ao passo que seu rival não dispensava tal colaboração. A mesma deusa de quem Ajax não aceitou ajuda fez ele matar todo rebanho conquistado pelos gregos enquanto ele pensava que matava os generais. Ajax se deprime , talvez a única depressão descrita em detalhes nas lendas gregas, e se mata. Morreram as vacas e Ajax. Que guerra era essa? O matador de Connecticut matou muito mais do que vacas, ainda que enquanto matava matasse alguma coisa que não eram aquelas crianças.

Devemos ficar atentos a existência de uma vida mental em nós e nos que nos cercam. Sofrimento psíquico é muito mais do que um diagnóstico é uma presença brutal e brutalizante dentro de alguém . Nao é possível evitar que humanos "mentados" tenham sofrimento, mas é possível retomar a cultura humanista que considerava a mente humana mais do que sinapses neuronais e os sentimentos e pensamentos e phantasias mais do que o tilintar de neurotransmissores. Simbolizar só é possível quando isso é considerado superior a ação não psíquica. O assassino não sabe pensar, se soubesse não mataria vinte crianças, nem essa pobre mãe colecionadora de armas de fogo. Pensava ela o que quando as colecionava? Agora é tarde.

13 de dezembro de 2012

Voltando....

Hoje volto ao blog depois de longa pausa. Volto animado porque ele foi repaginado de forma elegante por uma nova amiga e ótima pessoa muito bem recomendada por outro amigo, o Marcelo Tas. Essa profissional chama-se Erika Sara e graças a ela me animei a voltar. Bom, com essa introdução o espaço está reaberto. Um abraço a todos.

7 de agosto de 2011

Psicanalista e o desentendimento

"O psicanalista, que tem de empregar, numa aplicação prática pronta e difícil, idéias que foram o centro da discussão em todas as épocas, confronta constantemente a distinção entre verdade e mentira. O psicanalista procura idéias bem corretas e fortes para sobreviver às tempestades emocionais que elas deviam esclarecer.
Eu havia dito que, para os problemas do entendimento, o psicanalista poderá contribuir com algo que o filósofo da ciência desconhece porque o psicanalista têm experiência das dinâmicas do desentendimento, o psicanalista está interessado praticamente num problema que o filósofo aborda teoricamente. As investigações sobre entendimento e desentendimento colidem com problemas associados a verdade e inverdade.".

(1970) Atenção e interpretação. Rio de Janeiro, Imago, 1973.
grifo do autor, Bion, 1970, p.107

O Amor é Fodido - Miguel Esteves Cardoso

O nome do livro é O Amor é Fodido. :"Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem. Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos. Quando somos honestos, ou estamos apaixonados, é apenas um que se pretende.
Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence. Por isso escrevemos romances - porque ninguém acredita neles, excepto quem os escreve.
Viver é outra coisa. Amar e ser amado distrai-nos irremediavelmente. O amor apouca-se e perde-se quando quando se dá aos dias e às pessoas. Traduz-se e deixa ser o que é. Só na solidão permanece...

Corte na Holanda indeniza pela primeira vez uma criança por ter nascido -a so called “wrongful life” judgment.

O artigo inteiro está nesse link. A família da menina diz que a obstetriz que fez o pré parto da mãe errou em não pedir testes genéticos que evidenciariam defeitos graves no feto que acabou nascendo com sérios problemas. O governo vai pagar todas as despesas com médicos e atendimento e a família vai ser indenizada. A questão ética é a que chama atenção. Pode alguém ser responsável moralmente e nesse sentindo responsabilizado financeiramente pelos problemas relativos ao nascimento de alguém cuja natureza assim permitiu que nascesse? 


8 de março de 2011

End of psychiatry as a tool for helping people?

Vejam ai uma tragédia. A reportagem do NYT coloca as coisas nos seus desagradáveis e verdadeiros lugares. Conta por intermédio da vida de um psiquiatra a decadência do atendimento clínico psiquiátrico nos USA e não se iludam porque por aqui esta bem parecido. Me formei em medicina no meio dos anos 80. Naquela época se falava ainda de que um atendimento psiquiátrico poderia ter na psicoterapia (falava-se desde a psicoterapia breve ate a psicanálise propriamente dita) e nos medicamentos como dois pilares complementares no entendimento e atendimento do paciente, mais para la ou para ca dependendo do tipo de paciente e quadro clínico. Vi durante os anos 90 que as psicoterapias foram dando lugar aos medicamentos, afinal certos antidepressivos prometiam melhoras independente da vida mental de quem os tomasse e a vida mental foi começando a ser considerada uma ficção. É justo dizer que os psicanalistas e psicoterapeutas de todos os tipos decepcionaram a clientela, mantendo pacientes por anos e anos (as vezes quinze, vinte anos) sem resultados respeitáveis ou algo que justificasse tanto esforço , gasto e dedicação. A massa de decepcionados e seus descendentes estava prontinha para a noticia salvadora que podiam agora deixar estes pretensiosos de lado. Realmente da para entender porque a arrogância chegou a um ponto brutal por parte dos profissionais. Agora o pau comeu. Não há mais nada entre o medico psiquiatra e seu paciente a não ser o entendimento neuronal dos sintomas e a devida ou não devida medicação. Se isso ajudou a limpar um pouco o território onipotente dos psiquiatras, psicanalistas, psicoterapeutas e psicólogos de todas as formações por outro lado esta fazendo os pacientes conhecerem o que significa mediocridade e atendimento pífio as necessidades mentais. Não sei onde isso vai dar, mas a associação da industria de diagnósticos com as empresas de atendimento medico (convênios) não cheira nada bem e esta completamente bem estabelecida. Sei o que esta acontecendo, no entanto. A banalização do atendimento esta atingindo todos os níveis, dos antes mais complexos e cuidadosos aos antes mais superficiais e simples com a vantagem para os últimos porque o atendimento esta se nivelando pelo facil, pelo jeito mais fácil. Leiam o artigo, ele fala por si mesmo.

http://www.nytimes.com/2011/03/06/health/policy/06doctors.html

7 de março de 2011

Galliano's Affair

Pessoal. To fazendo um teste. Vou colocar este link por aqui para saber se funciona. É um reportagem bem interessante sobre o affair Galliano. Um idiota , conhecido como genio da moda, demitido recentemente de suas funcoes. http://www.dailymail.co.uk/debate/article-1363355/John-Galliano-gay-gipsy-does-think-Hitler-that.html

6 de março de 2011

Troca de mercadoria e de objetivo

Pessoal. Fui ate o centrinho da Ilha. Fui trocar um presente que não serviu...da época ainda do meu aniversário. O caminho estava apinhado de gente querendo ficar feliz, alguns acho até que estavam conseguindo..outros dava para ver que não e muitos tentando, tentando. Eu peguei trânsito como se diz por ai. Cheguei na loja e anunciei a troca. Acho que se tivesse anunciado um assalto teria sido mais bem tratado. A gerente estava literalmente estressada. Sua amígdala ( centro neuro-endócrino das emoções no cérebro) pressionava o hipotálamo a produzir o máximo possível de adrenalina e outros terríveis neuro-transmissores. A bichinha me olhou e anunciou: " Tô muito ocupada, agora não posso" . Eu mal havia dado bom dia. Fiquei calmo, acho eu. Óbvio que mal amado, mas isso não dispenso nem no Carnaval. Era uma demissão de um funcionário que estava movimentando o local e a alma dessa moça. Ela falava freneticamente com alguém no Nextel e assim todos podiam ouvir tudo e não entender nada. O funcionário demitido pegou o tal celular e passou a falar com o temido Depto Pessoal. De todos os departamentos que conheço em empresas este geralmente é o mais impessoal e desumano e por isso ouvia a voz tensa, submissa e triunfal do funcionário. Sair de uma emprego há de ser das melhores coisas na vida de uma pessoa. Finalmente livre de estar de acordo com alguma coisa que não se fica de acordo nunca. O patrão quer coisas que se justificam, mas são insuportáveis. A gerente em nome do patrão estava bufando, mas tinha ao seu lado o temido Depto. Pessoal que nessas horas e outras também é bom para o patrão e quer ser para o empregado e vice-versa o que além de impossível soma à tragédia o cinismo amoral cultivado em dezenas de doutorados nessa área. Bem, isso me animava a ficar ali. Outros clientes incautos pediam para ver mercadorias. Muito interessante. Um pediu ao demitido e foi atendido ou seria justo dizer meio atendido, porque o funcionário estava meio lá e não mais. Fui embora depois de perceber que não havia nada mais a fazer naquele local. Eu gosto muito disso, gosto de ir a um lugar fazer uma coisa muito diversa da que fui fazer. Afinal fazer o que fomos fazer atrapalha muito. E é só por isso que amo as férias. Não preciso ir a lugar nenhum. Mas fazer isso na Ilhabela é bem melhor....